{"id":3491,"date":"2022-05-11T08:00:00","date_gmt":"2022-05-11T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/?p=3491"},"modified":"2022-07-08T11:57:39","modified_gmt":"2022-07-08T14:57:39","slug":"lembranca-09","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/2022\/05\/11\/lembranca-09\/","title":{"rendered":"Lembran\u00e7a 09"},"content":{"rendered":"\n<p>Rec\u00e9m-Casados, A Miss\u00e3o<br>Por Iber\u00ea Mariano da Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser declarado Aspirante a Oficial em 16 de dezembro de 1967, fui classificado no Batalh\u00e3o de Manuten\u00e7\u00e3o da Divis\u00e3o Blindada no Rio, junto com mais seis companheiros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fiz grandes amizades entre as quais o Comandante, Coronel Roberto Moura. Devido a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica estar complicada em face de a\u00e7\u00f5es de subversivos, pass\u00e1vamos grande parte do tempo em prontid\u00e3o operacional no quartel.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando fomos promovidos a 2\u00ba Tenente, em 25 de agosto de 1968, escolhi servir em Campo Grande, MT na 4\u00aa Cia M\u00e9dia de Manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Comandante era o Major Jaime Iraj\u00e1 Pereira.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo este introito teve como motivo descrever um fato, que ser\u00e1 necess\u00e1rio para compreender uma ocorr\u00eancia descrita mais tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre a chegada na nova Organiza\u00e7\u00e3o Militar e meu casamento em 11 de maio de 1969, fiz diversos novos amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um destes foi um Tenente-Coronel sui generis.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele, no fim de semana, se deslocava em dire\u00e7\u00e3o a Nioaque, Aquidauana e Dourados e parava em tribos de \u00edndios, ribeirinhos, pequenas aglomera\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00e3o rural etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestes locais, ele visitava as pessoas mais doentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Passei a acompanh\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a\u00ed, tudo bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas perdoem-me os incr\u00e9dulos, dos quais eu fizera parte.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu via e mal acreditava no que via.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 muito mais tarde, atrav\u00e9s de projetos reservados do IPE comecei a entender a psicog\u00eanese, a energia psicotr\u00f4nica, a hiperintelig\u00eancia, a psicof\u00edsica e a psicognosia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ten Cel examinava o doente, parecia refletir, levantava o bra\u00e7o direito, girava a m\u00e3o meio fechada e quando abaixava, vinha um rem\u00e9dio em sua m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele indicava aos parentes como us\u00e1-lo e ia ver outro doente, aonde tudo se repetia.<\/p>\n\n\n\n<p>Convers\u00e1vamos muito sobre os fatos nos deslocamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele se autodesenvolvera.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada tinha a ver com religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea acreditou, tudo bem, se n\u00e3o, \u00e9 um direito seu.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas se voc\u00ea ficou curioso, estude.<\/p>\n\n\n\n<p>Recomendo come\u00e7ar pelos temas poder mental, vis\u00e3o remota transposi\u00e7\u00e3o, radiestesia e as m\u00e1quinas rotativas de Pavlita.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, voltemos \u00e0 aventura do in\u00edcio do meu casamento com Tania.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s consentimento do Comandante para contrair matrim\u00f4nio (o que era obrigat\u00f3rio na \u00e9poca), entrei em f\u00e9rias no dia 6 de maio e viajei para o Rio de Janeiro para casar.<\/p>\n\n\n\n<p>Embarquei em \u00f4nibus da Via\u00e7\u00e3o Mato-grossense \u00e0s 23:00 h, para uma estafante viagem que duraria 23:00 h at\u00e9 o Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Duas horas depois, fizemos uma parada no \u00faltimo posto de servi\u00e7os no estado de Mato Grosso (hoje Mato Grosso do Sul).<\/p>\n\n\n\n<p>De olho no motorista, vi que o mesmo pediu um rebite (como se chamava na \u00e9poca a mistura de duas por\u00e7\u00f5es de caf\u00e9 por uma de cacha\u00e7a usado para combater o sono).<\/p>\n\n\n\n<p>Meu assento era atr\u00e1s da cabine do motorista que era separada do restante do \u00f3nibus por um tabique.<\/p>\n\n\n\n<p>O assento do lado era destinado a um motorista auxiliar, que n\u00e3o embarcara.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00f4nibus era moderno e adaptado para trafegar na estrada lamacenta at\u00e9 chegar na asfaltada do estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Possu\u00eda no teto tr\u00eas sinalizadores rotativos para ser mais vis\u00edvel e achado em caso de acidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma hora depois, ainda acordado, verifiquei que o \u00f4nibus, de vez em quando, balan\u00e7ava para depois se aprumar.<\/p>\n\n\n\n<p>O balan\u00e7ar come\u00e7ou a ficar mais frequente.<\/p>\n\n\n\n<p>Levantei, abri a porta do tabique e fui falar com o motorista.<\/p>\n\n\n\n<p>Este meio amuado, a princ\u00edpio n\u00e3o quis papo.<\/p>\n\n\n\n<p>Utilizando toda psicologia que aprendera na AMAN, fui me enturmando.<\/p>\n\n\n\n<p>Pude, ent\u00e3o, me enfronhar da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele chegara em Campo Grande, dirigindo a partir de Presidente Epit\u00e1cio, SP, \u00e0s 22:00 h.<\/p>\n\n\n\n<p>Como n\u00e3o havia motorista para nosso \u00f4nibus, escalaram ele para retornar e ele estava cheio de sono.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, al\u00e9m de conversar, peguei um pequeno gravador de fita e grav\u00e1vamos ele cantando e ap\u00f3s ouv\u00edamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu lhe disse que era motorista classe \u201cD\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo ia passando.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dado momento, ele me disse que n\u00e3o dava mais e que parar naquela estrada seria muito perigoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, ent\u00e3o, lhe disse que poderia dirigir, e que ele poderia observar.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso ele sentisse confian\u00e7a, e enquanto isso acontecesse, eu continuaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma pequena parada, assumi a dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele aprovou.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m o sono venceu de vez e ele foi dormir no meu assento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s seis e meia ele acordou e foi para cabine.<\/p>\n\n\n\n<p>Perguntou aonde est\u00e1vamos e lhe disse que acab\u00e1vamos de atravessar a ponte do Ponto XV de Novembro, cruzando a fronteira para o estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele, contente, me disse que est\u00e1vamos no hor\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Trocamos de lugar e ele dirigiu por mais trinta minutos chegando ao ponto de troca de motorista.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele me pediu que n\u00e3o contasse a ningu\u00e9m, pois ele perderia o emprego e daria uma senhora confus\u00e3o para a empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Raciocinei e vi que eu tamb\u00e9m estaria encrencado.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, no calor do combate, foi a solu\u00e7\u00e3o certa.<\/p>\n\n\n\n<p>Os preparativos.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegando ao Rio, come\u00e7amos os preparativos para o grande momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Meu sogro, Sr. Affonso e minha sogra, D. Ilza, ofereceram seu carro para irmos para Campo Grande, MT ap\u00f3s o casamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Era um Fusca 61, vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p>Dada a viagem de 1.500 km e o carro j\u00e1 ter cerca de 8 anos, entrei em contato com o Sargento Valdeci do quartel em que servira e que era muito amigo meu.<\/p>\n\n\n\n<p>Juntos, durante a semana e fora da hora de expediente, fizemos a manuten\u00e7\u00e3o no carro, trocando os cilindros, os an\u00e9is de segmento, as velas, descarbonizando os cabe\u00e7otes, limpando o carburador, trocando os rolamentos do d\u00ednamo, enfim, uma manuten\u00e7\u00e3o geral no motor e na suspens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sexta-feira ao irmos providenciar os doces para a festa, um caminh\u00e3o bateu no carro amassando o para-lama.<\/p>\n\n\n\n<p>Entrando em contato com a firma propriet\u00e1ria, ela se disp\u00f4s a consertar o carro na ter\u00e7a-feira, ap\u00f3s o casamento no domingo.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim foi feito.<br>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O casamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O casamento se deu na Igreja Nossa Senhora do Bonsucesso, no Largo da Miseric\u00f3rdia, Centro do Rio de Janeiro, com uma noiva estonteante e todos requintes, tais como, p\u00e9talas de rosas caindo durante coloca\u00e7\u00e3o dos an\u00e9is e \u201cteto de a\u00e7o\u201d produzido pelos companheiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Na recep\u00e7\u00e3o, me lembro do corte do bolo com a espada, um pombo branco sendo solto da gaiola, ombro doendo de tantos abra\u00e7os, e fot\u00f3grafos enchendo o saco.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, segunda feira, dia 12 de maio e anivers\u00e1rio da sogra, levamos o carro para a oficina e na ter\u00e7a-feira o pegamos e passamos a carreg\u00e1-lo com presentes, roupas da noiva, utens\u00edlios de \u00faltima hora, em suma, at\u00e9 ao lado da bateria tinha coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 tinha sobrado lugar no carro para mim e para Tania.<\/p>\n\n\n\n<p>A viagem<br>Na quarta-feira, bem cedo, ap\u00f3s demorados abra\u00e7os e muitas l\u00e1grimas, partimos para a aventura. T\u00ednhamos 1.500 km pela frente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reta de Resende, pegamos uma neblina, atrav\u00e9s da qual nada v\u00edamos e a solu\u00e7\u00e3o foi seguir a uma dist\u00e2ncia prudente, atr\u00e1s de um \u00f4nibus enquadrando as l\u00e2mpadas traseiras do mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Paulo, ap\u00f3s abastecer, pegamos a Rodovia Castelo Branco que acabara de ser inaugurada.<\/p>\n\n\n\n<p>Perto do entroncamento de acesso para as cidades de Tatu\u00ed e Tiet\u00ea, deu-se o primeiro grande problema.<\/p>\n\n\n\n<p>O motor do fusca come\u00e7ou a esfuma\u00e7ar e fazer um barulho que mais parecia uma bateria de escola de samba.<\/p>\n\n\n\n<p>O motor batera biela.<\/p>\n\n\n\n<p>Revendo, me lembrei que fiz\u00e9ramos o motor trocando tudo, cilindros pist\u00e3o, an\u00e9is de segmento, ou seja, uma compress\u00e3o nova.<\/p>\n\n\n\n<p>O erro foi que n\u00e3o trocamos as bronzinas da \u00e1rvore de manivela.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrada rec\u00e9m-inaugurada n\u00e3o tinha tr\u00e1fego ainda.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1vamos num local deserto, com um motor fundido.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, a sorte sempre ajuda os incautos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o deu tr\u00eas minutos e apareceu uma viatura da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s eu me apresentar, eles nos rebocaram at\u00e9 uma revendedora autorizada em Tatu\u00ed e ainda avisaram ao Sargento comandante do Tiro de Guerra de Tatu\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>Este veio se apresentar e colocar seus pr\u00e9stimos a disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Gerente da autorizada Volkswagen me disse que o conserto duraria tr\u00eas dias e custaria Cr$ 1.330,00.<\/p>\n\n\n\n<p>Falei que n\u00e3o tinha este dinheiro ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele falou, ent\u00e3o, que eu poderia fazer um cheque da pra\u00e7a de Campo Grande no valor do montante, mas precisava que algu\u00e9m em Tatu\u00ed avalizasse.<\/p>\n\n\n\n<p>Falei com o Sargento.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isto, o Gerente me ofereceu uma segunda op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso eu pagasse Cr$ 1.300,00, me colocariam um motor totalmente recondicionado com todos acess\u00f3rios novos.<\/p>\n\n\n\n<p>Era uma tremenda vantagem, pois ainda teria garantia de seis meses e ele, devido ao avan\u00e7ar do fim do expediente estaria pronto na manh\u00e3 do dia seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p>O Sargento conseguiu um hotel razo\u00e1vel para passarmos a noite e, ainda por cima, a assinatura do prefeito como avalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveitamos e fomos a um cinema.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalto que, em Campo Grande tinha feito uma poupan\u00e7a no valor de Cr$ 1.500,00 para eventualidades do come\u00e7o de vida de casado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tarde da quinta-feira, dia 15, o carro estava consertado e os documentos prontos e assinados.<\/p>\n\n\n\n<p>Partimos, ent\u00e3o, ap\u00f3s agradecer a todos, inclusive ao prefeito em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Rodovia Raposo Tavares, mais devagar devido ao motor estar amaciando.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;<br>O segundo problema deu-se \u00e0 noitinha, quando paramos para abastecer num posto no acesso da cidade de Presidente Prudente.<\/p>\n\n\n\n<p>O carro foi desligado para comermos um sandu\u00edche e esticarmos as pernas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na volta ele n\u00e3o ligava mais.<\/p>\n\n\n\n<p>O motor rodava em alta velocidade sem resist\u00eancia e n\u00e3o pegava.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu sabia qual era o problema e tinha as ferramentas, mas n\u00e3o podia mexer no motor, pois perderia a garantia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tuchos se desregularam e as v\u00e1lvulas n\u00e3o chegavam a fechar.<\/p>\n\n\n\n<p>Dormimos no posto dentro do carro.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, dia 16, peguei uma carona para o centro da cidade at\u00e9 uma concession\u00e1ria Volkswagen.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de mostrar a garantia e explicar o problema, o Gerente mandou um mec\u00e2nico comigo at\u00e9 o posto, e este ajustou e travou os tuchos. Interessante \u00e9 notar como todos no interior e em cidades menores eram sempre atenciosos, prestimosos e gentis.<\/p>\n\n\n\n<p>Partimos \u00e0s 10:00 h em dire\u00e7\u00e3o a Porto XV de Novembro \u00e0s margens do Rio Paran\u00e1, aonde se encontra a divisa entre o Estado de S\u00e3o Paulo e o antigo Estado de Mato Grosso, posteriormente desmembrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em l\u00e1 chegando, por volta do meio do dia, paramos para abastecer e comer alguma coisa numa parada de caminh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 comia-se bem, barato e com fartura.<\/p>\n\n\n\n<p>Conversando com os motoristas sobre o estado da estrada, estes nos relataram que estava muito ruim, intransit\u00e1vel e que dificilmente passar\u00edamos no Volks.<\/p>\n\n\n\n<p>Afirmando que ir\u00edamos tentar, eles nos afirmaram, que, ent\u00e3o, nos apoiariam transmitindo e fazendo uma rede de comunica\u00e7\u00f5es sobre nosso estado e posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se tiv\u00e9ssemos problemas, eles, que sairiam um pouco mais tarde, nos rebocariam.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrada dali em diante era de terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela estava cheia de enormes po\u00e7as de \u00e1gua em que a estrada desaparecia.<\/p>\n\n\n\n<p>A maneira de passar era olhar a outra margem e navegar em linha reta at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim foi por todo caminho, e quando pass\u00e1vamos por um caminh\u00e3o, o motorista nos saldava com sua buzina.<\/p>\n\n\n\n<p>O carro ficava imundo, cheio de lama no para-brisa e nos far\u00f3is que foram necess\u00e1rios mais tarde.<\/p>\n\n\n\n<p>Vez por outra, parava, Tania (cuja roupa novinha do enxoval no in\u00edcio era branca) saltava e ia limpar tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu ficava no carro acelerando com medo de novo problema no motor.<\/p>\n\n\n\n<p>E l\u00e1 fomos no \u201cdevagar eu chego l\u00e1\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Tania estava ansiosa, pois, como goza\u00e7\u00e3o eu havia descrito que a cidade n\u00e3o tinha luz \u00e0 noite, que o fog\u00e3o era a lenha, que as ruas eram de terra e cheia de buracos, que faltava \u00e1gua, havia animais andando na rua, etc.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A 10 km da cidade a estrada, agora, era asfaltada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela ficou entusiasmada, quando, ainda longe, se via o clar\u00e3o de Campo Grande.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem nunca esteve completamente afastado da civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem ideia do que \u00e9, ap\u00f3s horas no mais completo breu, vermos o clar\u00e3o de uma cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1vamos orgulhosos e com uma imensa felicidade interior por ter, juntos, vencidos todos os \u00f3bices.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegamos em casa, por volta das 21:00 h, esgotados.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Tania ficou animada e euf\u00f3rica com sua nova casa toda certinha, com todo conforto, toda arrumadinha, encerada, comida na geladeira, arm\u00e1rios com tudo nos lugares e cortinas feitas por mim.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, dia 17, fizemos uma visita \u201cde m\u00e9dico\u201d ao meu Comandante da 4\u00aa Cia M\u00e9 Mnt, o Major Iraj\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, fomos fazer uma visita, para apresentar Tania, ao Subcomandante e meu amig\u00e3o, o 1\u00ba Ten Salom\u00e3o Houri, sua esposa Vera e a nen\u00e9m M\u00f4nica que nascera no dia de nosso casamento.<\/p>\n\n\n\n<p>No domingo, dia 18, fizemos um \u201ctour\u201d pela cidade, C\u00edrculo Militar, Centro, Vila Militar, bancos, pra\u00e7as, pontos tur\u00edsticos etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Tania adorou a cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>As pra\u00e7as limpas, as ruas asfaltadas e bem ajardinadas, muito bem iluminada \u00e0 noite, em suma, era uma beleza muito al\u00e9m da melhor das expectativas.<\/p>\n\n\n\n<p>A miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na segunda-feira, fui me apresentar no meu quartel por ter retornado \u00e0 guarni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando ia retornar para casa por continuar em f\u00e9rias e gala, fui retido pelo meu Comandante.<\/p>\n\n\n\n<p>Surgira uma miss\u00e3o urgente da 9\u00aa Regi\u00e3o Militar.<\/p>\n\n\n\n<p>O Cmt da 9\u00aa RM, Gen Div Ramiro Tavares Gon\u00e7alves e seu chefe de Estado-Maior, Hugo de S\u00e1 Campelo Filho, que foram meus chefes na Divis\u00e3o Blindada, sugeriram ao Cmt da 4\u00aa Div Cav que eu fosse escalado.<\/p>\n\n\n\n<p>Este, o Gen Bda Pl\u00ednio Pitaluga, de quem eu era \u201cpeixe\u201d, e seu Chefe de Estado Maior, Cel Roberto Moura, que fora meu Comandante no Rio no Btl Mnt da DB no Rio e me conhecia bem, concordaram de cara.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ordem chegou suspendendo minhas f\u00e9rias e gala.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, a guarni\u00e7\u00e3o de Campo Grande s\u00f3 possu\u00eda cinco tenentes oriundos da AMAN.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes eram quatro de Material B\u00e9lico e um de Intend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os outros tr\u00eas de Material B\u00e9lico eram casados e tinham filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>A miss\u00e3o era recuperar a viatura Veraneio da Pol\u00edcia Federal que sofrera pane na estrada, e seguir apoiando-a com destino a um sitio, o qual tinha sido plotado como um centro de treinamento de guerrilha.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo era desmantel\u00e1-lo e incapacit\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a viatura, com ferramentas, suprimento, e alimenta\u00e7\u00e3o era preparada, fui em casa avisar minha rec\u00e9m-esposa e despedir-me dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Disse-lhe que n\u00e3o sabia se voltaria vivo.<\/p>\n\n\n\n<p>A viatura era uma Vtr TNE 1 \u00bd ton 4&#215;4 Chevolet 1942, com uma talha na traseira.<\/p>\n\n\n\n<p>Semelhante \u00e0 foto acima.<br>Escalei o Cb Nei como motorista e um 2\u00ba Sgt, excelente mec\u00e2nico, do qual, infelizmente, n\u00e3o me recordo o nome.<\/p>\n\n\n\n<p>A Regi\u00e3o Militar, na \u00e9poca, possu\u00eda caminh\u00f5es administrativos MB LAP 321 4X2, al\u00e9m dos novos MB LP 1111 4X4 que estavam chegando.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos da Mercedes Benz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, quanto aos novos, n\u00e3o t\u00ednhamos confian\u00e7a ainda para empreg\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>O velho 1942 era o que t\u00ednhamos de mais confi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Como fomos muito r\u00e1pidos, conseguimos partir \u00e0s 09:00 h.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguimos pela estrada Campo Grande &#8211; Cuiab\u00e1, segundo um croqui preparado pela RM.<\/p>\n\n\n\n<p>O destino final seria o S\u00edtio Santo Ant\u00f4nio das Tr\u00eas Marias, que pertencia ao ex-presidente Jo\u00e3o Goulart.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrada, embora de terra, era boa.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tinha tr\u00e1fego e conseguimos manter a m\u00e9dia de 50 milhas por hora (80 km\/h). &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s quinze minutos, um avi\u00e3o North American T-6 Texan da Base A\u00e9rea de Campo Grande nos sobrevoou.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, de quinze em quinze minutos novos sobrevoos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed, compreendi como o problema com a viatura da PF chegara rapidamente \u00e0 RM.<\/p>\n\n\n\n<p>Um T-6 relatara \u00e0 Base, e essa \u00e0 PF e \u00e0 RM.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dado instante, um T-6 fazia uma manobra a pique sobre a estrada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele indicava a viatura Veraneio da Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Era por volta do meio-dia.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<br>Fomos recebidos com satisfa\u00e7\u00e3o e passamos a examinar a pane.<\/p>\n\n\n\n<p>A viatura era semelhante \u00e0 da figura ao lado.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema fora que a correia da bomba d\u2019\u00e1gua e gerador (alternador) havia arrebentado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em consequ\u00eancia, a bateria se descarregou e o motor ferveu.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda bem que eles pararam, caso contr\u00e1rio, o motor fundiria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s colocar \u00e1gua no radiador, instalar nova correia e dar uma chupeta na bateria, verificamos que tudo funcionava a contento.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveitamos para almo\u00e7ar e seguimos juntos adiante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Agora \u00e9ramos sobrevoados por dois T-6 de tempo em tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Passamos o Rio Corrente e seguimos em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade de Rondon\u00f3polis.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;<br>Em dado momento est\u00e1vamos sendo sobrevoados por quatro T-6, e um deles indicava a estrada \u00e0 esquerda que dava acesso ao s\u00edtio.<\/p>\n\n\n\n<p>Percorremos uns 10 km e do alto de um morrinho avistamos o alvo.<\/p>\n\n\n\n<p>Anoitecia.<br>Quando no alto, saltamos e observamos os T-6 entrarem em voo picado e metralharem uma \u00e1rea, sem ningu\u00e9m, pr\u00f3xima \u00e0s constru\u00e7\u00f5es, guarnecidas por diversos elementos suspeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Decidi, em reuni\u00e3o, que eu desceria com o Cabo Nei, por estarmos fardados.<\/p>\n\n\n\n<p>Com um pano branco amarrado na baioneta do mosquet\u00e3o Mq .30 M954 do Cabo, eu indicava que iria parlamentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Dada a demonstra\u00e7\u00e3o de fogo dos T-6s, e em consequ\u00eancia o apavoramento deles, negociei a completa rendi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim foi feito, e ap\u00f3s afirmar ao Chefe local que eles estavam completamente cercados por tropas., eles recolheram todas armas e as depositaram no local determinado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o a Pol\u00edcia Federal e o Sargento desceram com as viaturas.<\/p>\n\n\n\n<p>A PF revistou tudo e mais os arredores.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as armas foram colocadas no quarto da casa em que dormiam Dona Maria Teresa e Jo\u00e3o Goulart quando iam l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o quarto trancado e com a pistola Colt .45 com bala na agulha debaixo do travesseiro, descansei na cama do casal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os demais se revezavam em turnos vigiando os vinte e tr\u00eas elementos que dormiram ajuntados.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, o Sargento e o Cabo come\u00e7aram a desmontar a viatura que apresentara problema quando na descida do morrinho.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema era na embreagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia quebrado um dos tr\u00eas pinos, que era o piv\u00f4 dos balancins (macaquinhos).<\/p>\n\n\n\n<p>Os tr\u00eas balancins, distribu\u00eddos a 120\u00b0 um do outro, s\u00e3o os componentes da embreagem que empurram o plat\u00f4, descomprimindo, assim, o disco da embreagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, desacopla o motor da caixa de mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O pino quebrado, fazia o papel de ponto fixo para um dos balancins.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tinha aproximadamente quatro cent\u00edmetros, rosca numa ponta e uma cabe\u00e7a esf\u00e9rica na outra.<\/p>\n\n\n\n<p>O que fazer? Soldar?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o tinha meios para isto.<\/p>\n\n\n\n<p>Procurar entrar em contato com um dos T-6 e solicitar buscar a pe\u00e7a no suprimento da companhia?<\/p>\n\n\n\n<p>Andando, enquanto elucubrava, pensei no meu amigo Tenente-Coronel que era sui generis, ao qual me referi l\u00e1 no in\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, acredite se quiser!<\/p>\n\n\n\n<p>Algo me fez parar.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhei para o ch\u00e3o e l\u00e1 estava uma pe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Me pareceu um pino recoberto de graxa antioxidante.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensei, o que aquilo estava fazendo ali?<\/p>\n\n\n\n<p>Um lugar afastado de tudo!<\/p>\n\n\n\n<p>Abaixei e peguei o pino.<\/p>\n\n\n\n<p>Limpei a graxa.<\/p>\n\n\n\n<p>E ainda com descr\u00e9dito, levei a pe\u00e7a para o sargento e falei: -Tente isto.<\/p>\n\n\n\n<p>Era o piv\u00f4 que ele precisava, certinho, certinho.<\/p>\n\n\n\n<p>O Sargento com ar espantado me olhou de diversos modos interrogativos, n\u00e3o disse nada e a montou no lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Era mais um caso de psicog\u00eanica.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o Sargento e o Cabo remontavam a viatura, os tr\u00eas caras da PF recolhiam os pacotes de muni\u00e7\u00e3o e os depositavam ao lado do caminh\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um vigiava nossos vinte e tr\u00eas prisioneiros e dois os interrogavam.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram separados quinze.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais um dia se passou.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia que se seguiu, as atividades permaneceram as mesmas, e carregamos as muni\u00e7\u00f5es no centro da carroceria do caminh\u00e3o, de tal modo que, devidamente amarradas, sobrassem quatorze lugares nos bancos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fizemos diversas tentativas at\u00e9 que conseguimos ainda que apertado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os elementos pediram para fazer um churrasco e a PF consentiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Comemos bem, ainda mais que tanto a nossa comida quanto a da PF estava racionada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma noite e pela manh\u00e3 cedo, carregamos o armamento na boleia do caminh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Coube certinho ap\u00f3s alguns ajustes.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixamos oito elementos sem potencial, segundo a PF, para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>O caminh\u00e3o subiu o morrinho, e os quinze elementos, eu e o Cabo e dois da PF subimos a p\u00e9, devido ao peso da carga no caminh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 em cima, embarcamos, inclusive com um pouco do churrasco que os elementos solicitaram levar.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu e o Sargento sentamos no extremo do banco da carroceria.<\/p>\n\n\n\n<p>O Cabo ia, s\u00f3, na cabine.<\/p>\n\n\n\n<p>A PF colocou o chefe do grupo na ca\u00e7amba da Veraneio.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed partimos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os elementos perguntaram aonde estava a tropa.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu lhes disse que eles seguiriam logo ap\u00f3s para evitar qualquer desatino deles.<\/p>\n\n\n\n<p>O sobrevoo dos T-6 recome\u00e7ou, agora em grupo de dois.<\/p>\n\n\n\n<p>A PF partiu na frente deixando-nos para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim foi, at\u00e9 que tr\u00eas horas depois encontramos a Veraneio batida num barranco.<\/p>\n\n\n\n<p>Paramos e verificamos que o problema se restringia ao para-lama amassado sobre a roda dianteira.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o guincho do caminh\u00e3o livramos a roda colocando-a em condi\u00e7\u00f5es de dirigibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o chefe dos elementos, que estava na ca\u00e7amba, quebrara a clav\u00edcula.<\/p>\n\n\n\n<p>Fizemos sinais para os T-6.<\/p>\n\n\n\n<p>Um preparou-se para aterrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensamos que fosse faz\u00ea-lo na estrada, mas o piloto preferiu pousar num aterrado ao lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Conseguimos colocar o ferido no assento atr\u00e1s do piloto, apertando o outro tripulante.<\/p>\n\n\n\n<p>Limpamos a \u201cpista\u201d e seguramos o m\u00e1ximo poss\u00edvel o avi\u00e3o, enquanto o piloto acelerava.<\/p>\n\n\n\n<p>O avi\u00e3o decolou e seguiu para Campo Grande.<\/p>\n\n\n\n<p>A PF partiu e n\u00e3o a vimos mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os elementos pediram para aproveitar e comer o churrasco.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquiesci.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltamos para a estrada e seguimos adiante sempre com, pelo menos um avi\u00e3o, nos sobrevoando.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 noitinha, a 5 km de Campo Grande, est\u00e1vamos cruzando com uma grande quantidade de tropa.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia soldados de v\u00e1rios quart\u00e9is, carros de combate M-8, PE etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Mandei o cabo parar para perguntar o que estava havendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os caras da PE n\u00e3o responderam e mandaram seguir adiante.<\/p>\n\n\n\n<p>De repente um cara gritou: -S\u00e3o eles!<\/p>\n\n\n\n<p>Surgiu um bando de caras, que retiraram meus prisioneiros que at\u00e9 ali vieram rendidos, alegres, no blefe e em paz, e os colocaram deitados no ch\u00e3o de cara para baixo e os algemaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Transferiram as muni\u00e7\u00f5es e armas para outras viaturas.<\/p>\n\n\n\n<p>Me liberaram e fizeram um desfile triunfal em dire\u00e7\u00e3o e por Campo Grande.<\/p>\n\n\n\n<p>Retorno \u00e0 Normalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Fui para o quartel onde encontrei meu carro muito bem lavado e polido.<\/p>\n\n\n\n<p>Segui para casa ao encontro de minha querida esposa e desmaiei na cama.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte fiz meu relat\u00f3rio manuscrito e o levei para meu Comandante.<\/p>\n\n\n\n<p>Este, ap\u00f3s mil agrados e felicita\u00e7\u00f5es, determinou que levasse o relat\u00f3rio para o chefe do EM da Regi\u00e3o, Cel S\u00e1 Campelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s me parabenizar, ele come\u00e7ou a ler o relat\u00f3rio e rir sem parar.<\/p>\n\n\n\n<p>Me dispensou e levou o relat\u00f3rio para o Comandante da Regi\u00e3o, ainda rindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tania, filha \u00fanica, que ficara s\u00f3 em uma cidade estranha, ap\u00f3s ter conhecido apenas um casal, me disse que a FAB a mantivera informada sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>O que me leva a deixar aqui, mais uma vez, meus agradecimentos e reconhecimento aos brilhantes companheiros da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>E enfim, momentaneamente, reencontramos a normalidade e tranquilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Gen Bda Eng Mil Veterano Iber\u00ea Mariano da Silva \u2013 Engenheiro Eletr\u00f4nico e Nuclear \u2013 AMAN \u2013 CPEAEX &#8212; \u00a0Turma 1967 \u2013 Material B\u00e9lico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rec\u00e9m-Casados, A Miss\u00e3oPor Iber\u00ea Mariano da Silva. Ao ser declarado Aspirante a Oficial em 16 de dezembro de 1967, fui classificado no Batalh\u00e3o de Manuten\u00e7\u00e3o da Divis\u00e3o Blindada no Rio, junto com mais seis companheiros.&nbsp; Fiz grandes amizades entre as quais o Comandante, Coronel Roberto Moura. Devido a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica estar complicada em face de&hellip;&nbsp;<a href=\"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/2022\/05\/11\/lembranca-09\/\" class=\"\" rel=\"bookmark\">Ler mais &raquo;<span class=\"screen-reader-text\">Lembran\u00e7a 09<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3492,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"neve_meta_sidebar":"full-width","neve_meta_container":"","neve_meta_enable_content_width":"","neve_meta_content_width":0,"neve_meta_title_alignment":"center","neve_meta_author_avatar":"","neve_post_elements_order":"[\"title\",\"meta\",\"content\",\"tags\",\"comments\"]","neve_meta_disable_header":"","neve_meta_disable_footer":"","neve_meta_disable_title":"","footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3491"}],"collection":[{"href":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3491"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3491\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3837,"href":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3491\/revisions\/3837"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3492"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}