{"id":3784,"date":"2022-06-29T06:00:00","date_gmt":"2022-06-29T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/?p=3784"},"modified":"2022-07-08T11:54:22","modified_gmt":"2022-07-08T14:54:22","slug":"lembranca-16","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/2022\/06\/29\/lembranca-16\/","title":{"rendered":"Lembran\u00e7a 16"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8220;Olho Local!&#8221;<br>&nbsp;<br>Por Iber\u00ea Mariano da Silva<br>&nbsp;<br>Um dia, ap\u00f3s a visita de um Tenente que servia na fronteira e sua esposa, o meu Comandante Major Haroldo Azevedo da Rosa, virou para mim e falou: \u201colho local\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a refei\u00e7\u00e3o que proporcionamos aos dois e eles se despedirem, fui conversar com o Cmt.<\/p>\n\n\n\n<p>Perguntei o que ele queria dizer com \u201colho local\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele como bom contador de hist\u00f3ria, come\u00e7ou a me narrar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele disse que, t\u00e3o logo o Aspirante conclu\u00eda a AMAN, era designado para servir em uma Unidade de fronteira ou em uma cidade pequena.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele chegava todo entusiasmado, pois deixara de ser paparicado como Cadete e agora tinha uma pistola, Comandava homens e tinha toda responsabilidade do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo dia, ap\u00f3s o expediente, ele sa\u00eda do quartel e ia dar uma volta no povoado ou cidadezinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Olhava e ficava horrorizado com o atraso, com as ruas ( quando mais de uma ) e as constru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltava correndo para o Quartel.<\/p>\n\n\n\n<p>No terceiro e quarto dia n\u00e3o sa\u00eda.<\/p>\n\n\n\n<p>No quinto, n\u00e3o aguentando mais, sa\u00eda novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta vez, demorava mais um pouco e voltava.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim de semana, investido de coragem, resolvia fazer uma incurs\u00e3o mais prolongada.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltava, mas tinha visto uma ou outra casa mais bonitinha,<\/p>\n\n\n\n<p>A pracinha era pequena, mas estava cuidada e limpa.<\/p>\n\n\n\n<p>A igrejinha at\u00e9 que tinha um jeitinho.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o era igual \u00e0s que conhecera em seu local de origem, mas era aceit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m as garotas, n\u00e3o mereciam uma segunda olhada.<\/p>\n\n\n\n<p>Era convidado a uma festinha. Ia, mas n\u00e3o tirava ningu\u00e9m para dan\u00e7ar.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 bebia o ponche e ficava relembrando os bailes que frequentara.<\/p>\n\n\n\n<p>Passava a ser convidado com mais frequ\u00eancia a festinhas e come\u00e7ava a se entrosar.<\/p>\n\n\n\n<p>A cidadezinha, j\u00e1 era, para ele, mais acolhedora.<\/p>\n\n\n\n<p>As garotas n\u00e3o eram t\u00e3o feias assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas festinhas, passava a achar uma menina mais mimosa e engra\u00e7adinha, embora com um ou outro defeitinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Passavam, ent\u00e3o, a se ver com mais frequ\u00eancia e finalmente ia conhecer os pais dela.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1, l\u00e1 ia um tempo, era promovido e devido, agora, \u00e0 noiva, procurava ficar no mesmo Quartel.<\/p>\n\n\n\n<p>Se casava e vinha o primeiro pequeno pequerrucho.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava feliz.<\/p>\n\n\n\n<p>Era um pai de fam\u00edlia, casado com a mulher mais linda da cidadezinha que adorava.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecia todo mundo e era prestigiado.<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha, agora, a vis\u00e3o do \u201colho local\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, se acostumara com o que via.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegando o momento de fazer a EsAO ( Escola de Aperfei\u00e7oamento de Oficiais ), ele se mudava com malas e bagagens levando sua trupe, para o Rio de Janeiro, aonde se encontrava com seus colegas de turma da AMAN.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ava, a\u00ed, no interior de sua cabe\u00e7a a fazer compara\u00e7\u00f5es de sua esposa com as outras mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela, passava a n\u00e3o ser t\u00e3o bonita, tratada, trajada, maquiada, etc. como as demais.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco a pouco passava a ter vergonha ou escond\u00ea-la sempre que poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Nota: Nesta \u00e9poca n\u00e3o havia rede nacional de TV ou r\u00e1dio, celular, computador, internet e TV, nas cidadezinhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma revista tipo Manchete ou Cruzeiro, quando chegava, chegava com um m\u00eas ou mais de atraso e, era disputad\u00edssima.<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha ele sido mais uma v\u00edtima do \u201colho local\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compensar, o General Comandante da EsAO, sua esposa, e outras senhoras, adotavam estas mo\u00e7as interioranas e ensinavam \u00e0s mesmas a se maquiar, ir a um sal\u00e3o de beleza, orientavam como se trajar, enfim, davam nelas um \u201cbanho de loja\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta a\u00e7\u00e3o social humanit\u00e1ria e volunt\u00e1ria evitou muitos desquites e separa\u00e7\u00f5es de casais.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, com uma integra\u00e7\u00e3o maior do Brasil como um todo e internet, as mo\u00e7oilas do interior, acompanham plenamente o comportamento, a maneira de se portar e de se vestir das grandes cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m, \u00e9 claro, surgirem nas cidadezinhas os sal\u00f5es de beleza, lojas com trajes da moda, academias de gin\u00e1stica e professores de etiqueta social.<br>\u00a0<br>Gen Bda Eng Mil Veterano Iber\u00ea Mariano da Silva \u2013 Engenheiro Eletr\u00f4nico e Nuclear \u2013 AMAN \u2013 CPEAEX &#8212; \u00a0Turma 1967 \u2013 Material B\u00e9lico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Olho Local!&#8221;&nbsp;Por Iber\u00ea Mariano da Silva&nbsp;Um dia, ap\u00f3s a visita de um Tenente que servia na fronteira e sua esposa, o meu Comandante Major Haroldo Azevedo da Rosa, virou para mim e falou: \u201colho local\u201d. 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