{"id":4010,"date":"2022-08-10T05:30:00","date_gmt":"2022-08-10T08:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/?p=4010"},"modified":"2022-08-08T23:28:06","modified_gmt":"2022-08-09T02:28:06","slug":"lembranca-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/2022\/08\/10\/lembranca-21\/","title":{"rendered":"Lembran\u00e7a 21"},"content":{"rendered":"\n<p>Minhas Lembran\u00e7as e Participa\u00e7\u00f5es na \u00c1rea de M\u00edsseis e Foguetes (parte 1).<\/p>\n\n\n\n<p>Por Iber\u00ea Mariano da Silva<br>&nbsp;<br>Para falar de m\u00edsseis e foguetes, precisamos por um dever de justi\u00e7a, come\u00e7ar falando de nossos antepassados e pioneiros.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro uso de foguetes deu-se na guerra contra o Paraguai.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram na verdade flexetes constitu\u00eddos de um tubo met\u00e1lico com p\u00f3lvora como propulsor e um explosivo na cabe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vara era amarrada no tubo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram uns verdadeiros busca-p\u00e9s.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido ao grande uso de m\u00edsseis e foguetes na 2\u00aa Guerra Mundial, o Ex\u00e9rcito Brasileiro&nbsp; come\u00e7ou a se interessar pelo assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Em particular, no antigo ETE (Escola T\u00e9cnica do Ex\u00e9rcito), hoje chamado de IME (Instituto Militar de Engenharia).<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1949, no ETE, o Curso Industrial e de Armamentos criou a disciplina Auto Propuls\u00e3o a Jato.<\/p>\n\n\n\n<p>Um acordo\/conv\u00eanio firmado com a Fran\u00e7a, nos trouxe o Dr. Antoine Edmund Brun, que era especialista em foguetes.<\/p>\n\n\n\n<p>Na referida disciplina destacou-se o Cap Manoel dos Santos Lage, que poderia ser alcunhado como o Von Braun brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Este, ficou no programa formado at\u00e9 sair General.<\/p>\n\n\n\n<p>Como trabalho de fim de curso em 1950, a equipe entusiasmada liderada pelo Cap Lage ( promovido a Major ), assessorada pelo Professor Antoine foram entregues todos os c\u00e1lculos para um foguete propulsionado a p\u00f3lvora de 114,3 mm de di\u00e2metro com alcance de 22 km.<\/p>\n\n\n\n<p>Um trabalho que perdurou no tempo at\u00e9, pelo menos, 1972.<\/p>\n\n\n\n<p>O Professor Antoine, tamb\u00e9m, assessorou o Major Ayrton Ribeiro da Silveira que liderava o grupo para foguetes de combust\u00edvel l\u00edquido ( Propergol \u00e0 base de Per\u00f3xido de Hidrog\u00eanio ) em 1951.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhos do Cap Lage for\u00e7aram a f\u00e1brica de Piquete a investir em p\u00f3lvoras de base dupla e ele construiu nosso primeiro ponto fixo ( medidor de empuxo ).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s est\u00e1vamos entre os primeiros do mundo na pesquisa espacial junto com a URSS e os Estados Unidos,&nbsp; mas estes tinham levados os cientistas alem\u00e3es e diversas V2.<\/p>\n\n\n\n<p>O j\u00e1 Ten Cel Lage e equipe pensavam num foguete de 300 km e para tal resolveram lan\u00e7ar antes um foguete para o espa\u00e7o tripulado.<\/p>\n\n\n\n<p>Este era um Sonda I, apelidado de Felix I pela imprensa, devido ao gato que voaria numa c\u00e1psula a qual retornaria por meio de um paraquedas. Di\u00e2metro 360 mm, peso 319 kg, ogiva 30 kg, peso do propelente ( p\u00f3lvora dupla 1000 kcal\/kg ) 180 kg, altitude m\u00e1xima 120 km.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m,&nbsp; n\u00e3o foi lan\u00e7ado devida propaganda exaustiva na imprensa, o que causou rea\u00e7\u00e3o da Sociedade Protetora dos Animais.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre tudo era repassado para ind\u00fastria, destacando-se a AVIBRAS do meu amigo Eng Jo\u00e3o Verdi, que j\u00e1 produzira dois avi\u00f5es diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>No desfile de 7 de setembro de 1956, o IME\/IPD desfilaram com 8 picapes \u00be ton Willys &nbsp;&nbsp;( apelidadas de foguetinhos ), que em sua carroceria levava um lan\u00e7ador m\u00faltiplo de 24 foguetes 108 R ( rotativos ).<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m desfilaram 4 reparos de antigos canh\u00f5es 37 antia\u00e9reo rebocados com 4 lan\u00e7adores de foguetes duplo est\u00e1gio 114 mm cada um.<\/p>\n\n\n\n<p>O narrador do desfile foi pego de surpresa.<\/p>\n\n\n\n<p>O Presidente perguntou ao Ministro do Ex\u00e9rcito, &nbsp;o que era aquilo.<\/p>\n\n\n\n<p>O Ministro n\u00e3o soube responder.<\/p>\n\n\n\n<p>Resultado: Houve uma sindic\u00e2ncia sum\u00e1ria e quase houve puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O propelente que dependia de um aglomerante importado, foi embargado pelo D.O.D americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Visitei, quando Cadete, o laborat\u00f3rio do ent\u00e3o Maj Miguez, aonde ele desenvolveu o propelente &nbsp;Composite ( Aproximadamente 70 % alum\u00ednio,&nbsp; 20 % perclorato de am\u00f4nia, 10 % aglomerante ).<\/p>\n\n\n\n<p>O laborat\u00f3rio era realmente rudimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo: As tubula\u00e7\u00f5es eram feitas de latinhas de extrato de tomate emendadas, os recipientes eram de latas de sorvete da Kibon, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre a cantina do IME e a Pedra que se encontra atr\u00e1s do IME, o Maj&nbsp; Miguez tinha um pequeno bunquer aonde fazia suas experi\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia, numa falha deu-se uma explos\u00e3o, que quebrou todos vidros na fachada detr\u00e1s do IME.<\/p>\n\n\n\n<p>Em consequ\u00eancia, foi criado o CCME (Comiss\u00e3o Central de M\u00edsseis do Ex\u00e9rcito ) e o ponto fixo no forte S\u00e3o Jo\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, s\u00f3&nbsp; 15 pa\u00edses detinham o conhecimento para produzir o Composite.<\/p>\n\n\n\n<p>Este foi usado no X40, projetado no IME e foguetes Sondas II da AVIBRAS.<\/p>\n\n\n\n<p>Um outro fato que destaco foi de um curso sobre foguetes que o Cap Serra foi fazer na Argentina nos meados da d\u00e9cada de 60.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele pagou cerca de cinco mil d\u00f3lares a um argentino (###) em troca de umas anota\u00e7\u00f5es, c\u00e1lculos e rascunhos do projeto de um foguete.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes c\u00e1lculos foram revisados, complementados e aprimorados pelo Ten MB Cardoso, que servia comigo no Btl Mnt da DB.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele era um excepcional matem\u00e1tico e calculista de primeira.<\/p>\n\n\n\n<p>A minha turma de Material B\u00e9lico com 15 Cadetes e a seguinte com 12 resolveu ressuscitar a SAMBA ( Sociedade Acad\u00eamica Mat Beliana ?Aeroespacial? ).<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7amos fazendo foguete de papel que eram enrolados em um l\u00e1pis.<\/p>\n\n\n\n<p>Para maior rigidez passamos a enrol\u00e1-los com linha e banh\u00e1-los com goma ar\u00e1bica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mediamos o alcance no ch\u00e3o da ala.<\/p>\n\n\n\n<p>Passamos a fazer mini tubeiras torneadas e achando os melhores \u00e2ngulos de entrada e sa\u00edda do venture.<\/p>\n\n\n\n<p>( 120\u00ba&nbsp; e 30\u00ba respectivamente ).<\/p>\n\n\n\n<p>Os foguetinhos j\u00e1 alcan\u00e7avam o fundo da Ala.<\/p>\n\n\n\n<p>Passamos a lan\u00e7ar da janela.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez um bateu na janela da 5\u00aa Cia, que estava em formatura.<\/p>\n\n\n\n<p>O Cap de l\u00e1, ligou para o Oficial de Dia que foi rapidamente at\u00e9 nossa ala.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 este viu todos Cadetes e dois Tenentes trepados nas janelas vendo a performance.<\/p>\n\n\n\n<p>O Oficial de Dia viu os Tenentes e perguntou: _ Os Senhores estavam a\u00ed?<\/p>\n\n\n\n<p>Recebido a resposta sim pelos Tenentes que continuavam nas janelas, ele virou as costas e foi embora.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegara o momento de passarmos para foguetes met\u00e1licos.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro que fizemos, usando como propelente seis suplementos de morteiro 60, explodiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Estilha\u00e7os passaram por mim e pelo Napoli 118&nbsp; zunindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um acertou o Nery 721 que estava a 20 metros, mas apesar do susto n\u00e3o foi nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Resultado disto \u00e9 que eu e o Napoli fomos chamados para nos apresentar ao &nbsp;Gabinete do General Comandante, o qual nos proibiu de fazer experi\u00eancias na \u00e1rea acad\u00eamica.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, s\u00e1bado, eu e o Ol\u00edmpio 541 fomos para o que seria a cidade sat\u00e9lite de Volta Redonda com todos os apetrechos.<\/p>\n\n\n\n<p>Lan\u00e7amos o primeiro com um suplemento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele saiu da rampa de lan\u00e7amento e caiu a um metro. Colocamos dois.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele saiu e foi embora passando por cima do morro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro, com os seis que colocamos no Parque de Material B\u00e9lico tinha que explodir.<\/p>\n\n\n\n<p>( Detalhe: Foram estilha\u00e7os a cem metros e a explos\u00e3o destruiu as cer\u00e2micas que ficavam sob as janelas do banheiro do Parque ).<\/p>\n\n\n\n<p>Em decorr\u00eancia do evento, passamos a receber de modo escondido de diversos Oficiais que nos incentivavam, os mais diversos tipos de p\u00f3lvora.<\/p>\n\n\n\n<p>Passamos a ter viaturas para fazermos lan\u00e7amentos nos Campos de Manbeca.<\/p>\n\n\n\n<p>Os foguetes, que eram numerados como Samba 5, 6,7, 8, 9 alcan\u00e7avam 1,5 km.<\/p>\n\n\n\n<p>A ogiva era de madeira oca e levava f\u00f3sforo branco, que no impacto quebrava a madeira e o f\u00f3sforo branco sinalizava o local.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o paramos por a\u00ed, fizemos um foguete bem maior, para 5 km de alcance.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tinha tr\u00eas busters laterais com suplementos&nbsp; e o central bem mais grosso com uma p\u00f3lvora de base dupla.<\/p>\n\n\n\n<p>O central tinha um rastilho de 15 segundos, e os tr\u00eas laterais eram acionados por espoletas el\u00e9tricas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Acendemos o rastilho, nos abrigamos, bem como a in\u00famera assist\u00eancia e 12 segundos depois acionamos as espoletas el\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho fotos.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed, fomos declarados Aspirantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Era 1967.<\/p>\n\n\n\n<p>Gen Bda Eng Mil Veterano Iber\u00ea Mariano da Silva \u2013 Engenheiro Eletr\u00f4nico e Nuclear \u2013 MSc AMAN \u2013 CPEAEX &#8212;&nbsp; Turma 1967 \u2013 Material B\u00e9lico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Minhas Lembran\u00e7as e Participa\u00e7\u00f5es na \u00c1rea de M\u00edsseis e Foguetes (parte 1). 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