{"id":4144,"date":"2022-09-15T11:44:23","date_gmt":"2022-09-15T14:44:23","guid":{"rendered":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/?p=4144"},"modified":"2022-09-15T11:44:27","modified_gmt":"2022-09-15T14:44:27","slug":"lembranca-26","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/2022\/09\/15\/lembranca-26\/","title":{"rendered":"Lembran\u00e7a 26"},"content":{"rendered":"\n<p>Um Grande Comandante<br>Por Iber\u00ea Mariano da Silva (\u25aa)<\/p>\n\n\n\n<p>Minha turma de Material B\u00e9lico na AMAN, turma Independ\u00eancia de 1967, &nbsp;foi classificada em dois grupos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sete foram classificados no Batalh\u00e3o de Manuten\u00e7\u00e3o da Divis\u00e3o Blindada e oito no Batalh\u00e3o Escola de Material B\u00e9lico.<\/p>\n\n\n\n<p>O Batalh\u00e3o de Manuten\u00e7\u00e3o era comandado pelo Cel Roberto Moura (irm\u00e3o do Ten Moura homenageado na AMAN \u2013 PTM).<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1, criei um grupo de pronto atendimento para sa\u00eddas emergenciais tendo em vista as confus\u00f5es de subversivos de 1968.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rias vezes fomos empregados como apoio \u00e0 tropas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre muito armados, treinados e preparados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 25 de agosto de 68, fomos promovidos e classificados em diversas Unidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Como segundo da turma e meu esp\u00edrito aventureiro, escolhi servir na 4\u00aa Cia M\u00e9dia de Manuten\u00e7\u00e3o em Campo Grande MT, subordinada \u00e0 4\u00aa Divis\u00e3o de Cavalaria .<\/p>\n\n\n\n<p>O Cel Roberto Moura, tamb\u00e9m, foi transferido para Campo Grande para ser o ChEM do Gen Pl\u00ednio Pitaluga, her\u00f3i da FEB (onde comandou o 1\u00ba Esquadr\u00e3o de Reconhecimento Mecanizado com blindados M8), Comandante da 4\u00aa DC.<\/p>\n\n\n\n<p>O Cel me apresentou ao Gen enchendo-me de elogios.<\/p>\n\n\n\n<p>A princ\u00edpio o Gen queria me nomear como seu Ajudante de Ordens.<\/p>\n\n\n\n<p>O Cel lhe comunicou que isto era fun\u00e7\u00e3o de Capit\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Gen, ent\u00e3o disse uma das suas c\u00e9lebres frases:_ \u201c Os regulamentos s\u00e3o feitos para os Generais mudarem \u201c.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que n\u00e3o fui nomeado, nem podia.<\/p>\n\n\n\n<p>O Gen Pl\u00ednio Pitaluga se transformou em grande amigo, confiava em mim, e toda miss\u00e3o espinhosa me designava.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, Campo Grande s\u00f3 tinha cinco tenentes da AMAN, sendo quatro de Mat Bel e um de Intend\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Meu Cmt na 4\u00aa Cia M\u00e9 Mnt era o Maj Jaime Iraj\u00e1 Pereira. (Nota: Gra\u00e7as aos Senhores do Ex\u00e9rcito, ele n\u00e3o tinha ci\u00fames nem chefoses) &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha um m\u00eas de Quartel e recebi ordem direta do Gen Pitaluga.<br>\u201c_ Iber\u00ea,&nbsp; na rodovi\u00e1ria tem um cara querendo sequestrar um \u00f4nibus.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1 l\u00e1 e resolva\u201d.<br>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Devidamente armado, me dirigi at\u00e9 o local.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecia bem os \u00f4nibus da Cia Mato-grossense.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sabia que na frente do \u00f4nibus tinha um dispositivo, que para emerg\u00eancias, comandava a abertura da porta.<\/p>\n\n\n\n<p>Instru\u00ed um policial a operar.<\/p>\n\n\n\n<p>Fui at\u00e9 a porta e comandei o policia e adentrei o \u00f4nibus e em voz de comando ordenei ao pseudo sequestrador. \u201c_ Larga a faca, renda-se e des\u00e7a agora do \u00f4nibus \u201c.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo desceu e se entregou \u00e0 pol\u00edcia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Ex\u00e9rcito foi aplaudido pelos passageiros ref\u00e9ns.<\/p>\n\n\n\n<p>Narrei o fato para o Gen Pitaluga que se dobrava de rir<\/p>\n\n\n\n<p>Fui designado para buscar umas trinta viaturas novas no DRMM2 (Dep\u00f3sito Regional de&nbsp; Moto Mecaniza\u00e7\u00e3o 2) em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1, organizei o comboio e parti para enfrentar os cerca de 1100 km.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 noite, paramos em uma \u00e1rea de um posto de gasolina e fizemos um c\u00edrculo com as viaturas e fomos rodando at\u00e9 que os para-choques se encontraram. No meio ficava a viatura ambul\u00e2ncia que eu dirigia, pois faltara um motorista. ( Na \u00e9poca,&nbsp; Oficial de Mat Bel era autorizado a dirigir em comboio e prova t\u00e9cnica).<\/p>\n\n\n\n<p>No meio da viagem, o comboio parou.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu que dirigia na retaguarda, avancei e encontrei uns guardas rodovi\u00e1rios que queriam saber, para informar ao Governador, o destino e a causa daquele comboio.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu disse-lhes que era segredo e que tinham que mant\u00ea-lo e que est\u00e1vamos indo para invadir o Paraguai.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditaram e sa\u00edram da frente.<\/p>\n\n\n\n<p>Entregue o relat\u00f3rio ao Gen Pitaluga ele se dobrou de rir.<\/p>\n\n\n\n<p>Atr\u00e1s do QG da 4aDC tinha uma pra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O Gen Pitaluga sentava num banco no centro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 sua retaguarda ficava a Fanfarra da DC.<\/p>\n\n\n\n<p>Vez por outra, ele comandava para a Fanfarra:_\u201d Toque um rasqueado a\u00ed \u201c.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele chamava a pra\u00e7a de Pra\u00e7a da Alegria, aonde ficava um bobo sentado e vinham os palha\u00e7os despachar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele era um sujeito bem humorado, gozador ao extremo e muito alegre.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tirava servi\u00e7o de Auxiliar de Dia ao Oficial de Dia \u00e0 Guarni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela manh\u00e3 me apresentava por ter passado o servi\u00e7o ao Gen Pitaluga.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele sempre tinha um caso para me contar.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das vezes ele me perguntou porque os filhos dele de uns 5 anos (nota: Ai de quem perguntasse a ele se eram seus netos),&nbsp; o porqu\u00ea &nbsp;seus filhos n\u00e3o respeitavam ningu\u00e9m &nbsp;a n\u00e3o ser a mim.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, ent\u00e3o, comecei a narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>O ve\u00edculo vinculado a ele um Aero Willys novinho, que eu trouxera de S\u00e3o Paulo, em uma semana voltou \u00e0 Cia de Mnt todo arranhado no porta mala e cap\u00f4.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s&nbsp; polido, uma semana depois o fato se repetiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1vamos invocados.<\/p>\n\n\n\n<p>E da \u00faltima vez que eu tinha vindo ao QG, encontrei seus filhos subindo no teto do carro e escorregando para o porta malas e cap\u00f4.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, ralhei com eles e disse-lhes com voz de bravo :_ \u201d Des\u00e7am j\u00e1 da\u00ed seus moleques&#8221;. Eles desceram e me afrontaram :&#8221; O Sr sabe quem \u00e9 meu pai? &#8221; . Eu perguntei, quem?&nbsp; Eles retrucaram :&#8221; \u00c9 o Gen Pitaluga &nbsp;! \u201c. A\u00ed, eu perguntei a eles:&#8221; E voc\u00eas sabem quem \u00e9 o meu pai?\u201d Eles , quem? &nbsp;Eu ent\u00e3o,&nbsp; lhes falei:&#8221; \u00c9 o Ministro da Guerra, Chefe do seu pai.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eles abaixaram a cabe\u00e7a e come\u00e7aram a me respeitar, pois meu pai era mais que o pai deles.<\/p>\n\n\n\n<p>O Gen Pitaluga dava gargalhadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das vezes que fui me apresentar por t\u00e9rmino de servi\u00e7o,&nbsp; encontrei uma senhora aflita que queria falar com o General.<\/p>\n\n\n\n<p>Como sabia que ele recebia todo mundo, acompanhei-a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela, na presen\u00e7a do General, come\u00e7ou a reclamar que um Sargento (pertencente \u00e0 minha unidade inclusive) tinha abusado da filha dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele, enquanto ela falava, pegou calmamente sua espada que ficava como enfeite sobre sua mesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se fosse um fato corriqueiro, desembainhou-a.<\/p>\n\n\n\n<p>Ato cont\u00ednuo come\u00e7ou a tentar embainha-la novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>E ficava tentando e tentando e n\u00e3o conseguindo.<\/p>\n\n\n\n<p>A mulher vendo isto, se aproximou,&nbsp; pegou a ponta da espada e a ajustou na boca da bainha.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a\u00ed que ele falou:_\u201d Esta vendo, minha senhora, se n\u00e3o fosse o seu jeitinho, n\u00e3o tinha entrado! \u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E , assim terminou a reclama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, sorrindo para dentro, s\u00e9rio,&nbsp; me apresentei e me retirei.<\/p>\n\n\n\n<p>O General Pitaluga tinha uma anta de estima\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela andava por todo QG.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela era o terror de todos Coron\u00e9is do Estado Maior, pois ela comia todos pap\u00e9is que estivessem sobre as mesas.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, ainda solteiro, dormia num quarto do meu Quartel.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia, mais ou menos \u00e0s 2:00 h da manh\u00e3,&nbsp; acordei com um tiro de fuzil.<\/p>\n\n\n\n<p>Rapidamente me fardei, peguei minha pistola e parti para ver o que ocorrera.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo pessoal de servi\u00e7o estava de prontid\u00e3o vasculhando todo terreno.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontramos um Soldado que estava &nbsp;\u201cna hora\u201d desmaiado no ch\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O tiro partira dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe lembrar que o guerrilheiro Capit\u00e3o Lamarca supunha-se que estava pela \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, o servi\u00e7o era tenso.<\/p>\n\n\n\n<p>O Soldado, ent\u00e3o relatou que ouvira um barulho&nbsp; \u201c rsq, rsq, rsq&#8221; no terreno baldio que ficava ao lado do Quartel.<\/p>\n\n\n\n<p>Que gritara ALTO TR\u00caS VEZES e como n\u00e3o parou o barulho ele atirou.<\/p>\n\n\n\n<p>Amanheceu e fomos examinar a \u00e1rea fazendo uma varredura.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontramos a anta de estima\u00e7\u00e3o do General.<\/p>\n\n\n\n<p>O tiro dado pelo soldado pior atirador do Quartel, tinha entrado pela cabe\u00e7a da anta e sa\u00eddo pelo rabo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o conhecimento do fato, o Maj Iraj\u00e1&nbsp; me determinou que fosse relatar o fato ao General, pois eu era &#8220;peixe&#8221; dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Na presen\u00e7a do General, contei o incidente todo e o comportamento do Soldado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele mandou elogiar o mesmo em boletim.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00ed falei para o General que tinha tido uma consequ\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ele me perguntou :qual ? A\u00ed, eu falei :&#8221; Em consequ\u00eancia, vossa anta est\u00e1 morta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedi permiss\u00e3o para me retirar e ca\u00ed fora.<\/p>\n\n\n\n<p>Soube, que ele mandou enterrar a anta. &nbsp;<br>O cozinheiro do QG lamentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Veio ordem do Cel Moura ChEM da 4\u00aa DC que eu estava nomeado pelo Cmt da 9\u00aa RM, o Gen Div &nbsp;Ramiro ( Ele fora meu Cmt na DB e me conhecia bem), para ser o Chefe da figura\u00e7\u00e3o inimiga na manobra da Regi\u00e3o e que tinha autoriza\u00e7\u00e3o para formar minha equipe utilizando pessoal de todas Unidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, ent\u00e3o,&nbsp; estive em todas unidades onde os respectivos Comandantes me ofereciam seus melhores soldados.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu os recusava e pedia os Soldados mais alterados.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu reuni a equipe, doutrinei-os, entusiasmei-os, incentivei-os, e disse-lhe que era a chance de eles provarem seus valores.<\/p>\n\n\n\n<p>Recebemos uns bra\u00e7ais vermelhos e os fiz se orgulharem de serem uma tropa coesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ou a manobra.<\/p>\n\n\n\n<p>Faz\u00edamos emboscadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Destru\u00edamos (figurativamente ), materiais, canh\u00f5es, viaturas, pai\u00f3is, caus\u00e1vamos baixas etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00e1rbitros de bra\u00e7ais verdes, julgavam rapidamente e sempre ganh\u00e1vamos.<\/p>\n\n\n\n<p>A moral da minha pequena tropa subia cada vez mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Com experi\u00eancia adquirida \u00e9ramos ainda mais arrojados nas escaramu\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>A manobra terminou e o resultado foi dado pelos \u00e1rbitros que o inimigo tinha sido expulso para outra regi\u00e3o, n\u00e3o cabendo mais a miss\u00e3o \u00e0 9\u00aa RM.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha pequena tropa ficou exultante.<\/p>\n\n\n\n<p>Os paraguaios desde 1965 reiteravam a devolu\u00e7\u00e3o das terras perdidas na Guerra do Paraguai,&nbsp; pois j\u00e1 fizera 100 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1969, come\u00e7ou o que chamamos de batalha dos marcos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os paraguaios destru\u00edam os marcos de fronteira ou os lan\u00e7avam no rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa opera\u00e7\u00e3o secreta, n\u00f3s da 4\u00aa Cia M\u00e9 de Mnt, constru\u00edamos novos e cabia a mim colocar as marcas do Marechal C\u00e2ndido Mariano da Silva Rondon (era meu xar\u00e1) .<\/p>\n\n\n\n<p>Cada marco pesava em m\u00e9dia 500 kg.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 noite, saia uma pick-up Willys \u00be ton 4&#215;4 com dois marcos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela ia se arrastando, toda fechada, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 fronteira para repor &nbsp;os marcos.<\/p>\n\n\n\n<p>Houve, ent\u00e3o, uma determina\u00e7\u00e3o que foi conduzida e chefiada pelo Gen Pl\u00ednio Pitaluga.<\/p>\n\n\n\n<p>Era uma demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a &nbsp;disfar\u00e7ada como se fosse uma homenagem aos bravos da Retirada da Laguna.<\/p>\n\n\n\n<p>Com duas viaturas em m\u00e9dia &nbsp;de cada unidade formou-se um comboio.<\/p>\n\n\n\n<p>Eram: 2 viaturas da PE, 2 de Cia Com, 2 Carros Blindados M8 do Esq Rec Mec, 2 de Sa\u00fade,&nbsp; 2 transporte de tropa Mercedes Benz 1111 &nbsp;2 \u00bd ton 4&#215;4, &nbsp;2 canh\u00f5es do 9 G Can, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>A minha Unidade, sob meu comando, integrava o comboio com uma vtr Chevrolet 1942 1 \u00bc ton 4&#215;4 que levava suprimentos e mec\u00e2nicos, 1 vtr cisterna dupla que levava combust\u00edvel e 1 vtr socorr\u00e3o&nbsp; guincho.<\/p>\n\n\n\n<p>Partimos de Campo Grande e par\u00e1vamos em cada povoado pr\u00e9-programado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nestes locais havia uma comemora\u00e7\u00e3o,&nbsp; uma salva de 3 tiros dos canh\u00f5es e um pequeno desfile.<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral era nos oferecido um churrasco.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos trajetos eu tinha que reparar os canh\u00f5es,&nbsp; que devido \u00e0s estradas nuas ou encascalhadas, plenas de buracos e po\u00e7as d&#8217;\u00e1gua e enlameadas, sofriam danos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Nioaque (aonde anos mais tarde serviu o Ten Bolsonaro), mais duas pe\u00e7as de canh\u00f5es do G Can local se somaram ao comboio. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eu sempre chegava atrasado devido \u00e0s repara\u00e7\u00f5es que &nbsp;fazia nas vtr e pe\u00e7as que ficavam para tr\u00e1s. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fui falar com o General e pedi que os canh\u00f5es fossem embarcados nas vtr em vez de rebocados, devido as avarias que vinham sofrendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele concordou.<\/p>\n\n\n\n<p>Com pranch\u00f5es e roldanas os canh\u00f5es passaram a ser embarcados e n\u00e3o deram mais problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois do comboio permear a fronteira, com diversas paradas e tiros de salvas, voltamos para as Unidades de origem e cessaram de vez as manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ganhei um diploma de participa\u00e7\u00e3o que muito me honra e o guardo com carinho e orgulho.<\/p>\n\n\n\n<p>O General Pitaluga, mais tarde, vez outra marcha por ele chamada de Marcha do Otimismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nela ele fazia uma competi\u00e7\u00e3o at\u00e9 Porto Murtinho de tropa \u00e0 cavalo e tropa em viaturas. (Ele queria &nbsp;provar algo para o Estado Maior do Ex\u00e9rcito.)<\/p>\n\n\n\n<p>A tropa \u00e0 cavalo ganhou.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta, eu n\u00e3o participei.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, mais tarde, ainda em gala, recebi uma nova miss\u00e3o espinhosa a ser realizada na Fazenda Santo Antonio das Tr\u00eas Marias.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta miss\u00e3o j\u00e1 foi contada em outra cr\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p>O General Bda Pl\u00ednio Pitaluga, falecido em 17 Dez 2002, era uma pessoa muito ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava sempre em constante atividade e participando de tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava sempre presente em todas suas OMs subordinadas por mais long\u00ednquas que fossem.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um Senhor Comandante que tive.<\/p>\n\n\n\n<p>Gra\u00e7as a pessoas como ele, o Comando Militar do Oeste \u00e9 a pot\u00eancia militar que \u00e9 atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>(*) General-de-brigada engenheiro militar veterano, AMAN Mat Bel 67, Pqdt Militar, Mestre Salto, Guerra na Selva, Graduado (Eng Eletr\u00f4nica) e P\u00f3s-graduado MSc (Nuclear) pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e pela \u00c9cole Nationale Sup\u00e9rieure de l\u2019A\u00e9ronautique et l\u2019Espace (Fran\u00e7a), diplomado pelo Curso de Pol\u00edtica, Estrat\u00e9gia e Alta Administra\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito (CPEAEx).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um Grande ComandantePor Iber\u00ea Mariano da Silva (\u25aa) Minha turma de Material B\u00e9lico na AMAN, turma Independ\u00eancia de 1967, &nbsp;foi classificada em dois grupos. 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