{"id":4341,"date":"2023-12-12T22:34:17","date_gmt":"2023-12-13T01:34:17","guid":{"rendered":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/?p=4341"},"modified":"2023-12-12T22:35:53","modified_gmt":"2023-12-13T01:35:53","slug":"lembranca-36","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cvmarj.org.br\/site\/index.php\/2023\/12\/12\/lembranca-36\/","title":{"rendered":"Lembran\u00e7a 36"},"content":{"rendered":"\n<p>Essequibo<br><\/p>\n\n\n\n<p>Essequibo<br>Iber\u00ea Mariano da Silva (*<em>) \u00a0Escrevo esta \u00a0reminisc\u00eancias no dia 4 de Dezembro de 2023 acerca de fatos ocorridos na d\u00e9cada de 60 e de pouqu\u00edssimo conhecimento de brasileiros e de registros.<\/em><br><br><em> Todos sabem, atualmente, das pretens\u00f5es da Venezuela de tomar \u00e0 for\u00e7a 5\/8 da sua vizinha Guiana (antiga Guiana Inglesa) que teve sua independ\u00eancia em 1966. Este fato recrudesceu, agora, mormente pela descoberta de imensa quantidade de petr\u00f3leo e minerais no solo e mar da Guiana. O olho grande do ditador da Venezuela se fez presente e se prepara para invadir a Guiana que tem um fraqu\u00edssimo ex\u00e9rcito. <\/em><br><br><em>A Venezuela e Guiana s\u00e3o separadas pela cadeia de montanhas Roraima praticamente intranspon\u00edvel por um ex\u00e9rcito.\u00a0 Para que a invas\u00e3o se torne poss\u00edvel, tem-se que contornar o obst\u00e1culo mencionado, o que se daria atravessando territ\u00f3rio brasileiro. Esta \u00e1rea do Estado brasileiro Roraima \u00e9 plana e cheia de fazendas com gado e planta\u00e7\u00f5es. <\/em><br><br><em>Para ter melhor no\u00e7\u00e3o da natureza do terreno, eu explico: Se voc\u00ea pegar um ga\u00facho e o colocar l\u00e1, ele vai ter a n\u00edtida impress\u00e3o que est\u00e1 nos Pampas do Rio Grande do Sul. A floresta amaz\u00f4nica\u00a0 n\u00e3o existe. Ali\u00e1s, um ministro, como sempre desinformados, certa vez, fez um esc\u00e2ndalo denunciando que haviam desmatado completamente aquela regi\u00e3o. <\/em><br><br><em>Pobre coitado! Vamos aos fatos de minhas reminisc\u00eancias. Como 1\u00ba tenente, ap\u00f3s ter terminado o curso de Mestre de Salto na Brigada Paraquedista, fui convidado a servir na 12\u00aa Cia Mat Bel\u00a0 em Manaus. Era 1970. Na unidade em forma\u00e7\u00e3o, existiam apenas 2 oficiais. <\/em><br><br><em>O comandante Maj Haroldo Azevedo da Rosa e eu. Outras unidades em forma\u00e7\u00e3o, tinha como ber\u00e7o a 12\u00aa Cia Mat Bel.\u00a0 Fui colocado pelo Maj Haroldo como chefe das mesmas. Eram elas, entre outras, o n\u00facleo do DRCL 12 (Dep\u00f3sito Regional de Combust\u00edvel e Lubrificantes) , o n\u00facleo do DRAM 12 (Dep\u00f3sito Regional de Armamento e Muni\u00e7\u00f5es)\u00a0 etc. Cabe notar que eu era o \u00fanico oficial de Material B\u00e9lico na 12\u00aa Regi\u00e3o Militar do CMA (Comando Militar da Amaz\u00f4nia o qual estava em forma\u00e7\u00e3o). <\/em><br><br><em>No N\u00fa DRAM 12 eu tinha duas vezes a reserva de guerra em muni\u00e7\u00f5es. Portanto um excesso razo\u00e1vel. No entrevero entre Guiana e Venezuela,\u00a0 enquanto n\u00e3o havia a solu\u00e7\u00e3o dada pelo Acordo de Genebra que come\u00e7ara em 1966 e terminaria em 1970, ex\u00e9rcitos de ambos pa\u00edses come\u00e7aram a atravessar o territ\u00f3rio brasileiro para um atacar o outro. Nesta travessia, devastavam as planta\u00e7\u00f5es,\u00a0 matavam o gado, estupravam as mulheres,\u00a0 enfim um verdadeiro caos. Na \u00e9poca t\u00ednhamos homens de verdade no comando da na\u00e7\u00e3o. O Gen Geisel era o ministro do Ex\u00e9rcito e o Gen M\u00e9dici era o presidente. O Ex\u00e9rcito Brasileiro e a FAB, em consequ\u00eancia, foram acionados. <\/em><br><br><em>Foram destacados para a \u00e1rea uma Cia do 1\u00ba\u00a0 BIS, o 2\u00ba BIS, um pelot\u00e3o do CIGS, um batalh\u00e3o\u00a0 da Brigada Pqdt. (Se me enganei do montante da tropa, me desculpem pelo meu Alzheimer e aus\u00eancia de documenta\u00e7\u00e3o.) Da FAB, destacava-se os avi\u00f5es de transporte B\u00fafalos C115 e os ultrapassados ca\u00e7as\u00a0 AT 33. Esta tropa colocou fim na briga dos contendores. Eu, em 1970, fornecia muni\u00e7\u00e3o para a tropa, como N\u00fa DRAM 12. Cabe destacar, aqui, algo que jamais constar\u00e1 de quaisquer documento ou men\u00e7\u00e3o. O fato foi me relatado por um Capit\u00e3o Pqdt por ocasi\u00e3o de nosso encontro sobre fornecimento de muni\u00e7\u00e3o. (Deixo de identificar o militar propositadamente por motivos \u00f3bvios). <\/em><br><br><em>Antes da assinatura \u00a0em 18 de junho de 1970 do protocolo de Porto Espanha que congelava a situa\u00e7\u00e3o, as invas\u00f5es dos ex\u00e9rcitos estrangeiros deixaram de acontecer. O motivo de tal fato, me foi relatado pelo mencionado capit\u00e3o. Ele comandava uma Cia Pqdt e emboscou uma Cia Venezuelana que incontinenti, devido sua baixa forma\u00e7\u00e3o militar, se rendeu como um todo. Ap\u00f3s desarm\u00e1-los, deixou-os s\u00f3 de cuecas e coturnos sem cadar\u00e7o. Colocou-os em forma com oficiais \u00e0 frente.\u00a0 Colocou 4 paraquedistas 4&#215;4 (grande complei\u00e7\u00e3o f\u00edsica) sentados em um tronco e mandava de quatro em quatro venezuelanos em dire\u00e7\u00e3o aos Pqdt que os deitava no colo e davam-lhes palmadas. Oficiais primeiro, diante da tropa deles, os humilhava. <\/em><br><br><em>Depois das palmadas eram libertos, individualmente para voltarem a seu pa\u00eds. E assim, nunca mais houve uma invas\u00e3o. \u00c9 claro, que isto n\u00e3o pode constar em nenhum documento militar. Pouqu\u00edssimas pessoas vivas t\u00eam conhecimento. Uma nota sobre o 2\u00ba BIS. Eu fornecia a muni\u00e7\u00e3o para eles. Para mim o 2\u00ba BIS era a tropa mais bem formada e aguerrida que o Brasil possu\u00eda. Seu efetivo permanente era constitu\u00eddo, apenas, de paraquedistas, for\u00e7as especiais e \u00a0guerreiros de selva. Os recrutas se apresentavam \u00a0e uma semana depois iam para selva. <\/em><br><br><em>Voltavam da selva uma semana antes da baixa. Iam beb\u00eas e voltavam homens feitos com complei\u00e7\u00e3o f\u00edsica e tremendos soldados treinados. Era uma tropa formid\u00e1vel. \u00a0Eu tinha um verdadeiro carinho e admira\u00e7\u00e3o pela unidade. <\/em><br><br>(*) General-de-brigada engenheiro militar veterano, AMAN Mat Bel 67, Pqdt Militar, Mestre Salto, Guerra na Selva, Graduado (Eng Eletr\u00f4nica) e P\u00f3s-graduado MSc (Nuclear) pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e pela \u00c9cole Nationale Sup\u00e9rieure de l\u2019A\u00e9ronautique et l\u2019Espace (Fran\u00e7a), diplomado pelo Curso de Pol\u00edtica, Estrat\u00e9gia e Alta Administra\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito (CPEAEx).<br>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Essequibo EssequiboIber\u00ea Mariano da Silva (*) \u00a0Escrevo esta \u00a0reminisc\u00eancias no dia 4 de Dezembro de 2023 acerca de fatos ocorridos na d\u00e9cada de 60 e de pouqu\u00edssimo conhecimento de brasileiros e de registros. 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